13 de setembro de 2018

Unip realiza ciclo de palestras sobre “O universo da escrita”


Por Giovanna Nucitelli
A Universidade Paulista realizou na última semana uma série de debates sobre “O Universo da Escrita”. O evento, realizado no campus Marquês, contou com a presença dos jornalistas Antonio Carlos Fon, Viviane Santyago e Paulo José Lanyi, que palestraram para alunos dos cursos de Letras, Jornalismo e Publicidade e Propaganda.

Na ocasião, os convidados contaram sobre suas trajetórias profissionais e deram dicas aos estudantes sobre escrita e o “fazer jornalístico” atual. Sérgio Braga, coordenador do curso de Jornalismo, abriu o evento recordando sobre o período de repressão durante a Ditadura Militar (1964-1985).

Em seguida, Antonio Carlos Fon conduziu a palestra contando sobre seu passado na profissão, marcada pela censura militar. Expoente no jornalismo investigativo, Fon destacou as matérias “Descendo aos porões” e “Um poder na sombra”, além de seu livro “Tortura – a história da repressão política no Brasil”, que retratam o período da Ditadura.

Antonio Carlos Fon abordou o papel do
jornalismo na defesa da democracia

O palestrante ainda abordou sobre a militância na profissão, a política atual e a relação de ambos os temas com o jornalismo. “Não temos memórias de nossa profissão e isso nos coloca em risco de voltar a um passado recente”, afirma Fon. “Temos que encontrar novas formas de fazer jornalismo”, completa.  
A dificuldade da participação feminina na literatura
foi destaque na participação da jornalista Viviane Santyago

Viviane Santyago foi a próxima a palestrar. Ex-aluna da Unip, a jornalista, que já passou pela assessoria de imprensa da Polícia Militar, falou sobre literatura e sobre seu livro “A Linha 4-Amarela do Metrô”, que conta a história de passageiros do sistema de transporte. Viviane também abordou sobre a dificuldade de participação feminina no mercado literário, cuja presença representa apenas 30% do total de publicações.

“A literatura feminina foi colocada dentro de um nicho que deprecia o que é escrito por mulheres, como se só falássemos de coisas banais e fúteis […]. Eu quero poder escrever um livro onde eu coloque minha perspectiva e vivência feminina e, se ele tiver qualidade literária, seja reconhecido como um bom livro”, comenta Santyago. “Escrevam sempre, para se aprimorarem, porque escrever é 5% dom e 95% talento”, finaliza.

Encerrando a série de palestras na quinta, Paulo José Lanyi contou sua trajetória mista no jornalismo, na literatura e, recentemente, no cinema. O jornalista também apresentou aos alunos sua obra “Deus disse que não existe”, onde inaugura um novo gênero literário, que chama de romance cênico, por misturar literatura e teatro.
José Paulo Lanyi destacou as amplas possibilidades
de atuação na carreira jornalística

Lanyi trouxe ainda aos alunos uma nova perspectiva das profissões: “quando me perguntam se eu sou jornalista, cineasta, entre outros, eu digo que eu me expresso, expresso meu pensamento. Aprendemos a nos restringir e isso não é bom. A gente pode se libertar das amarras de ser uma única coisa e fazer algo que muitas vezes não pensamos”.

Para Sérgio Braga, o evento foi importante por contemplar a troca de informações entre três gerações de jornalistas, desde Antonio Carlos Fon, que vivenciou os eventos da Ditadura Militar, passando por Paulo Lanyi, representante da segunda geração de profissionais e que mostra que o jornalista pode ser um comunicador pleno, até Viviane Santyago, que é a nova geração em busca de formas inovadoras de fazer jornalismo.

A coordenadora do curso de Letras, Simone Gonzales, comentou sobre a importância da relação dos temas repressão, liberdade e direitos, abordados nas três palestras: “quando se fala de repressão, não falamos só sobre repressão política. E é muito importante que os mais jovens entendam que isso existe e como é maquiado para que a gente ache que não”. Simone ainda ressaltou a importância da leitura e de se informar sobre os fatos cotidianos.