21 de março de 2018

Um país de todos. Exceto dos brasileiros


Por Jessica Gomes

Falar sobre os refugiados tem se tornado comum no Brasil. As guerras, perseguições religiosas e políticas que vem ocorrendo pelo mundo, estão obrigando pessoas de diferentes nacionalidades a deixar seu país de origem para garantir sua sobrevivência. E o Brasil é visto por muitos como o país do acolhimento. Faz parte da cultura do país acolher bem o estrangeiro. Diferente de alguns países europeus, o governo brasileiro tem facilitado a entrada de refugiados no território. Mas antes de dar a vez a quem vem de fora é necessário se questionar primeiro se o Brasil é dos brasileiros. Antes de favorecer os refugiados, é necessário melhorar as condições de vida dos próprios moradores.

O Brasil já foi “um país de todos”, no antigo governo esse era o slogan utilizado. Até que ponto o Brasil ainda pode ser considerado um país de todos? A grande questão está em querer oferecer ao outro, coisas que seu próprio povo não tem. O governo aproveita momentos assim para demonstrar ao mundo que é um país acolhedor, agradável e amigável. Não que não seja, mas quem está dentro não vê como quem está do outro lado. É inquestionável a essência do brasileiro em acolher. Mas quem está sendo acolhido ultimamente? Esse país que já foi de todos, tem essa fama inclusive, por não restringir a entrada de imigrantes. Quem são as pessoas que buscam mudar de vida?

Há cerca de 9 mil pessoas em situação de refúgio, vivendo no país. São muitos problemas, muitas pessoas e poucas ações. Os refugiados vêm ao Brasil somar com a desigualdade já existente. O problema não são eles. É necessário estruturar a casa para abrigar com dignidade alguém que precisa. Muitas são as necessidades do estrangeiro e o país tem pouco a oferecer. Recentemente o Brasil passou a receber venezuelanos. Acredita-se que até junho de 2017, mais de 3 mil pessoas vindas da Venezuela chegaram a diferentes estados brasileiros devido a crise político-econômica na Venezuela. Essas pessoas estão abandonadas, pois não tem por onde recomeçar.

Nos dois últimos anos o número de pessoas em situação de pobreza aumentou no Brasil. É considerado pobre no país pessoas que possuem a renda familiar per capita abaixo de R$ 230,00 por mês, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A crise econômica tem contribuído para essa condição, pois muitas pessoas depois de perderem o emprego, não possuem condições básicas de vida. Com os estrangeiros nesse contexto de refúgio não é diferente.

Para os brasileiros falta água, saneamento básico, saúde, segurança, educação, entre tantas coisas. E os refugiados? Saem em busca de uma nova vida e muitas vezes ficam em situação igual ou semelhante a que viviam, porém sem guerras, perseguições e talvez seja por este motivo que desejam permanecer. Não há condições de vida nem para os brasileiros, que dirá para os refugiados.

O governo brasileiro precisa mudar as políticas públicas antes de continuar recebendo refugiados. Somente nos primeiros 5 meses de 2017, o Brasil recebeu 10.507 pedidos de refúgio. As leis brasileiras não acompanham o crescimento da população e consequentemente não conseguem acompanhar o aumento de estrangeiros. Dessa forma acabam brasileiros e refugiados com as mesmas dificuldades. A população brasileira precisa ser valorizada social e economicamente e deve ser colocada sempre em primeiro lugar.