14 de março de 2018

Professora discute falta de investimento na periferia


Por Leonargo Argentoni e Lucas Freitas

No Brasil de 2017, com escândalos de corrupção, violência e outros vários problemas que já nos parecem crônicos, um ainda assusta muito, apesar de pouco divulgado: a desigualdade do ensino para alunos ricos e os menos abastados. As escolas de periferia ainda sofrem com falta de investimento e falta de acesso em cultura, espaços sociais e até mesmo educação. A falta de valorização da cultura existente dentro das próprias comunidades também assusta.


Para discorrer sobre o tema, Conexão Foca ouviu a professora Maria Isabel Ramalho Ortigão, professora-adjunto da Faculdade de Educação da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e autora de diversas pesquisas, estudos e livros, com destaque para ‘Educação nas periferias urbanas’, base de nossa conversa com a estudiosa, que tem opinião formada e direta sobre a carência do ensino nas comunidades: “Educação pública, laica, de qualidade. Esse sim deveria ser o grande investimento público.”

Sobre os desafios que os estudantes pertencentes a famílias mais abastadas se comparados a estudantes que pertencem a famílias de maior poder aquisitivo a professora é categórica: “Ter menos recursos econômicos não significa ter menos condições intelectuais, culturais ou sociais”. Então por que tanta desigualdade? “Muitas vezes as periferias bem menos acesso aos bens culturais”.

As periferias, mais especificamente, as comunidades carentes do Rio de Janeiro, possuem cultura própria, aquela passada de geração em geração e que, quando inserida no ambiente de ensino, acaba sendo mal interpretada, o que na avaliação da estudiosa é um erro. Para a professora Isabel, a cultura presente dentro das comunidades podem e devem ser valorizadas dentro das escolas, assim como deve-se investidor no acesso aos bens culturais oferecidos aos estudantes com mais dinheiro. “O sistema é carente de investimento em educação de qualidade. Valorizar as culturas das pessoas que residem nas periferias é importante também,” conclui.