21 de março de 2018

O Brasil dos refugiados




Por Rafael Ponciano
Foto: Paula Matuyama

Desde 2010 o Brasil recebe refugiados de diversas partes do mundo. O número inicial de migração chegou ser de 966 mil pessoas, em sua maioria oriunda de países em condições de conflitos militares, como a Síria.

Diante dessa perspectiva de aumento contínuo, alguns grupos de brasileiros tem se posicionado contra as políticas públicas de acolhimento aos refugiados, o Brasil tem um histórico de receber pessoas de diversos países, entretanto nos últimos anos esse fato tem gerado uma onda de intolerância.

O caso mais recente foi em agosto de 2017. Mohamed Ali, de 23 anos, um refugiado Sírio, que saiu de seu país em conflito para tentar uma vida nova no Brasil vendendo esfihas na Av. Nossa Senhora de Copacabana no Rio de Janeiro.

Todos os dias o Sírio vendia suas esfihas como forma de manter-se financeiramente em solo brasileiro, quando foi vítima de xenofobia por um brasileiro que o agrediu verbalmente, disparando um discurso preconceituoso, dizendo que o país não era dele e que deveria ir embora. Um cinegrafista amador gravou o momento de ofensas. O vídeo ganhou a internet e repercutiu mundo afora, o fato abriu um questionamento importante sobre a tradição de sermos vistos como um país acolhedor.

Mesmo com casos como este, o Brasil não deixou de receber novos refugiados, e tem recebido vários imigrantes, criando um clima propicio a xenofobia no país.

Em uma entrevista ao Portal R7, o representante da ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados disse: “O Brasil é acolhedor, mas ainda falta estrutura.”. De fato, não estamos na linha maior de desenvolvimento humano, tanto que os dados divulgados pelo órgão mostram que os países ricos acolhem apenas 14% dos refugiados enquanto os 86% restantes são acolhidos pelos países em desenvolvimento.

A questão política de refugiados não é discutido no Congresso Brasileiro. O Brasil é um país criado a partir da miscigenação de diversos povos, o acervo cultural é rico, repleto de influências de vários pontos do mundo. Esse ambiente diverso e alegre cria condições para que os refugiados desenvolvam suas vidas no país.

Apesar da xenofobia e de outros problemas inerentes à condição dos refugiados, diversas iniciativas públicas e privadas trazem ares de solidariedade tornando esse recomeço mais digno e humanizado.
A sociedade brasileira vem debatendo a questão da inserção dos refugiados. Recentemente em um encontro no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, a ACNUR mostrou exemplos de como o setor privado no Brasil pode oferecer oportunidades e soluções para a proteção de refugiados com diversos projetos de integração na sociedade. Assim como esse projeto, instituições privadas como Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e Serviço Social do Comércio (SESC) têm uma parceria para ajudar os refugiados com programas de educação há 10 anos. Ambos se unem para oferecer cursos de português, ações socioculturais, atividades de reflexão sobre o universo do refúgio, entre outros serviços.

O Brasil está se mostrando receptivo para todos que precisam desse refugio. O papel do brasileiro é fazer com que esse acolhimento amistoso seja uma nova perspectiva de vida para essas pessoas, o recomeço.