13 de novembro de 2017

Cooperifa comemora 16 anos com mostra cultural

O jornalista Xico Sá, o poeta Sérgio Vaz (ao  centro)
e  o  ator Wagner Moura no debate promovido
pela Cooperifa (foto: Jéssica Santos)


Por Jéssica Santos e Gabriel Ballock

Há dezesseis anos, nascia na periferia da zona sul de São Paulo, o movimento intitulado Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia), idealizado pelo poeta Sergio Vaz, e que tinha como objetivo servir como porta-voz de uma geração que buscava se manifestar culturalmente, mas que não encontrava lugar nos espaços tomados por artistas da grande mídia.

Desde então, a Cooperifa ganhou corpo, tomou forma, e conseguiu a adesão de inúmeros artistas. De movimento periférico, tornou-se uma das maiores referências culturais destinada a abrigar artistas, poetas e ativistas que passaram a ter, na iniciativa de Sergio Vaz, eco para a poesia e voz daqueles que, até então, eram marginalizados.

Em 2007, inspirada pela Semana de Arte Moderna de 22, a Cooperifa promoveu a Semana de Arte Periférica. O projeto serviu como uma nova versão da iniciativa modernista, e reuniu artistas envolvidos no desenvolvimento de atividades culturais como teatro, exposição fotográfica e debates.
A Cooperifa foi também pioneira na promoção de saraus nas regiões mais distantes dos grandes centros urbanos.

Durante um ano e meio, os saraus da periferia ocorreram numa fábrica abandonada em Taboão da Serra, município de São Paulo, e agora acontecem no bar de José Cláudio Rosa, mais conhecido como Zé Batidão, todas às quartas-feiras, das oito até meia noite, no bairro de Piraporinha, zona Sul de São Paulo. A atração reúne, semanalmente, cerca de 400 pessoas.

Em outubro deste ano, ao completar 16 anos de atividades poéticas, a Cooperifa comemorou realizando sua 10° Mostra de Cultura Periférica. A ocasião contou com um bate-papo no Sesc Campo Limpo, e teve as participações do escritor e jornalista Xico Sá, do ator e diretor Wagner Moura, e também do fundador do projeto, Sérgio Vaz. Dentre os temas debatidos, tiveram destaque a cultura produzida na periferia e a questão da democracia.

Wagner Moura destacou a relação entre a cultura de democracia. “Não existe democracia sem cultura. Pode existir cultura sem democracia, se a gente entender cultura como produção de sentido, como qualquer coisa que não seja da natureza. A democracia só existe com cultura, por que ela faz parte fundamental da democracia”, afirmou.

Sérgio Vaz aprofundou ainda mais o tema, destacando a necessidade de reivindicação por questões elementares. “A nossa arte não é nem por democracia, ainda é por cidadania, e por direitos humanos. Estamos lutando ainda contra o genocídio brasileiro, contra pobreza, contra a fome, e a violência policial.”

Vaz destacou ainda o papel dos saraus no resgate da cultura periférica. “A nossa cultura está resgatando a nossa humanidade, porque as pessoas não estão tirando só o nosso dinheiro, estão tirando nossa humanidade, o que é pior. A Cooperifa é só um tijolo nessa ponte. As pessoas que trabalham na Cooperifa, que circulam, são vários movimentos que se fundem.”

Wagner Moura, por sua vez, afirmou que a periferia deve se inspirar na luta de Carlos Marighella, líder guerrilheiro que atuou na época da ditadura, na década de 1960, e que é tema do filme que está sendo rodado pelo ator e diretor.

“Eu quero que as pessoas que vivem na periferia olhem para Marighella e digam, ‘esse cara me representa, esse cara é um herói, negro e brasileiro, eu entendo o que ele fez e ele me inspira’”, afirmou.