15 de outubro de 2017

Por que privatizar seria ruim?


Jhonathas Silva

Uma das maiores polêmicas que determina as discussões em São Paulo neste ano de 2016 é a privatização de serviços e locais que atualmente são geridos pelo Estado. Muitos defendem o ponto de que transporte, centros culturais, parques e grandes centros de lazer devem continuar como dever do governo. Mas a gestão pública tem capacidade de fornecer o melhor serviço?

Um exemplo que pode servir como parâmetro para o debate, em nível estadual, mas que pode plenamente ser adaptada para o problema municipal é a questão da qualidade do transporte metroviário. A Linha 1 Azul é a mais antiga e atravessa a cidade ao meio, indo do Tucuruvi à Jabaquara. Mesmo sendo a primeira, e abrangendo partes importantíssimas de São Paulo, como a Sé, ela ainda não oferece conforto para os milhares de passageiros que a utilizam todo dia. Muitos dos trens nem sequer possuem ar-condicionado. 

Já a Linha 4 Amarela, que é a primeira linha de São Paulo a ser operada pela iniciativa privada, oferece um serviço muito mais qualificado. Além de ter todos os seus trens equipados com ar-condicionado, o transporte, que está sob a administração da ViaQuatro, empresa pertencente ao grupo CCR, também conta com avisos em múltiplas línguas, limpeza e maior sinalização. Fora isso, não são operados por um condutor diretamente na cabine, e possuem painéis nas estações que indicam o horário da chegada do próximo trem e a lotação de cada vagão, para que os passageiros possam ver em qual deles sua viagem seria mais cômoda. 

Quanto à segurança, que é uma preocupação no transporte metroviário, as estações dessa linha possuem portas automáticas, o que diminui brutalmente o risco de alguém cair na via.

Outro exemplo de como o serviço oferecido pela iniciativa privada consegue ser superior ao oferecido pelo Estado é o Sesc - Serviço Social do Comércio. Nem todos têm acesso, mas uma grande parcela da população de São Paulo usufrui dos espaços que foram criados e são mantidos por um grupo de empresários. 

O Sesc oferece diversos eventos culturais não só na cidade de São Paulo, mas em todo o Brasil. Exposições, lugares com uma boa manutenção e equipamentos de qualidade para a prática de exercícios físicos, oficinas, shows e muitas outras atrações culturais estão no leque de serviços que este espaço oferece para toda a população brasileira. 

Podemos dizer que os centros culturais do país também oferecem isso, mas nada nessa magnitude. 

A iniciativa pública trouxe ao Brasil a Copa do Mundo sob o pretexto de que ela deixaria um legado positivo para o país e que a população sairia beneficiada. Porém, a realidade que se apresentou para a cidade de São Paulo foi outra. 

Logo, não é difícil identificar que na iniciativa pública, o planejamento e a preocupação com comodidade e qualidade são superiores às da gestão pública. 

Tanto em serviços essenciais no cotidiano dos moradores da cidade de São Paulo, quanto no lazer e entretenimento, pois o número de atrações oferecidas é muito maior, com serviços e equipamentos de última geração e que suprem as necessidades básicas dos cidadãos.

Além da qualidade, a opção pela gestão privada reforça o argumento de que o desperdício de dinheiro público é muito menor quando comparado aos orçamentos da administração pública, que invariavelmente ignoram questões como o superfaturamento e atraso de obras.

Portanto, defender a privatização de serviços públicos é empunhar a bandeira da luta contra o desperdício de verbas, o zelo com o patrimônio público e o combate intenso e contínuo contra a corrupção, mal este que virou uma verdadeira ameaça crônica à sociedade brasileira.