15 de outubro de 2017

Para André Sturm, inovação é a chave para ampliar acesso da população à cultura



Gabriela Israel

O atual secretário municipal da cultura, André Sturm, esclareceu algumas mudanças na área cultural da cidade e como pretende fazer com que o acesso à cultura seja ampliado. Como antigo diretor do Museu da Imagem e Som (MIS), relatou que a experiência adquirida o ajudará nessa nova empreitada. Escolhido pelo atual prefeito, João Doria, pretende ampliar o acesso à cultura através das mudanças nas gestões de órgãos públicos, que passam a ser administrados por organizações sociais, pois acredita que é um modelo que dá certo. Sturm garante que o mesmo escândalo que envolveu o Teatro Municipal em 2016 não se repetirá. Mesmo sendo alvo de protesto nas ruas, acredita já ter conseguido avanço nos programas culturais.

Conexão Foca - Você considera positivo o conceito de gestão por organizações sociais? Quais motivos te levam a esse critério? 

André Sturm - A experiência do Museu da Imagem e do Som, do qual fui diretor.

Conexão Foca - Analisando seu trabalho no MIS, vemos grandes exposições e um público fiel. O que você pretende fazer para que setores municipais tenham esse mesmo alcance de público que o MIS têm?  

André Sturm -  Inovar na programação sem ter medo de arriscar e tentar algo novo.

Conexão Foca - Cinquenta e duas bibliotecas serão administradas sob gestão de organizações sociais, pois seria “muito difícil” para a Prefeitura fazer uma gestão direta. A Biblioteca Mário de Andrade não está inclusa nesse esquema de administração. Por quê? 

André Sturm - Todas as bibliotecas municipais são geridas pela administração direta.

Conexão Foca - Referente ao escândalo que ocorreu com o Theatro Municipal no ano passado – que é administrado por OS – quais medidas serão tomadas para que isso não aconteça novamente? 

André Sturm - Já foram tomadas medidas no sentido de acompanhar os convênios e parcerias de forma sistemática e não somente no momento da prestação de contas.

Conexão Foca - Em 2014, no programa Provocações, você declarou que “na periferia existe uma produção cultural muito rica, autônoma, independente, porém a periferia está carente de equipamentos culturais, centros, espaços para que elas possam usufruir onde elas moram”. Como secretário, como você pretende mudar isso nas periferias? 

André Sturm -  Novos editais como o do Museu de Arte de Rua – MAR, cujos projetos são desenvolvidos fora do Centro expandido. Também estamos valorizando a programação local nos equipamentos como Casas de Cultura. Um ótimo exemplo foi a Virada Cultural, em que além de programar o Centro, levamos atrações para diversos equipamentos como teatros municipais, casas de cultura, centros culturais e bibliotecas.

Conexão Foca - A descentralização da Virada Cultural não teve grande aprovação do público. Pretende manter o mesmo formato para ano que vem? 

André Sturm - Não tivemos a mesma impressão. Basta procurar por fotos da programação descentralizada em locais como a Chácara do Jockey, o Parque do Carmo e os centros culturais do Grajaú e Cidade Tiradentes, por exemplo.

Conexão Foca - Neste ano ocorreram algumas mudanças nos blocos de ruas no Carnaval que não agradaram alguns foliões. É possível adiantar os planos para o Carnaval 2018? 

André Sturm - Ainda estamos em fase de elaboração, em diálogo com os blocos e os moradores das regiões que recebem os desfiles. Na semana passada fizemos um “Secretaria da Cultura Escuta” com este tema.

Conexão Foca - Como você lida com ativistas que gritam “Fora, Sturm” em protestos, como o que ocorreu em 27 de março,  em manifestação contra o congelamento da verba para cultura? 

André Sturm - Já avançamos no âmbito do descongelamento dos recursos, possibilitando que programas e outros projetos prosseguissem.