15 de outubro de 2017

Educador critica corte de verba para a Cultura

Alana Tavano, Brenda Messora

Paulo César Carraturi Pereira, 45 anos e morador da cidade de São Paulo, trabalha como educador de arte e ama sua profissão. Muito ligado aos meios artísticos e em desenvolver sua criatividade, o educador se dedica ao teatro e a ações de projetos comunitários.

No entanto, de acordo com o professor, São Paulo vem passando por um problema de incentivo à arte. Mesmo sendo uma cidade que apoia projetos de inclusão e ações na periferia, a verba para cultura foi cortada em 40%. Após a posse do novo prefeito, projetos como, o PIA (Projeto de Iniciação Artística) foram derrubados, e os “CEUs” estão sendo abandonados. Atividades tão importantes para exercícios vocacionais e de iniciação profissional não estão sendo valorizadas suficientemente.

Para Paulo César, não incentivar a cultura é o mesmo que excluir arte e filosofia da grade do ensino médio. É tirar qualquer processo de reflexão, de criar um ser pensante, de pensar através de diversos pontos de vista, um pensamento não só com a mente, mas com o corpo, pois a arte é reflexão, é pensar sobre o mundo, sentir, se sensibilizar. Grupos de capoeiristas, de circos, teatro, danças populares, grafite, todos lutam pelo seu espaço de levar e mostrar cultura para a população.

“Estamos vivendo em um momento histórico: a desvalorização da arte, incluindo essa ação de João Doria, de apagar os grafites de São Paulo, que são conhecidos mundialmente”, comenta Paulo César. “Além de símbolos, eles são fonte de inspiração para muitos jovens, que são resgatados da miséria ou da vida no crime, pois, o universo de adolescentes e jovens da periferia é ficar na periferia, então essas ações de inclusão são necessárias, para a criação de melhores pessoas e profissionais”, reflete.

Outro ponto que incomoda o educador são as privatizações. Sua visão é de que isso é uma solução rápida para os problemas: se uma administradora sabe como fazer dar certo, joga a responsabilidade para ela. Mas, para ele, vender o patrimônio público não é sinônimo de uma boa gestão. De acordo com Paulo César, melhor seria, por exemplo, transformar os lucros ganhos em eventos feitos no Anhembi em bens úteis para a população.

Formado na FAAP, em Comunicação Visual, Paulo César vê com cuidado o título de “educador”, pois para ele o professor não tem a obrigação de educar, mas ao mesmo tempo, serve muito como referência e como exemplo para os jovens.

 “Para o educador, ensinar não é uma profissão, mas sim uma missão”, analisa. Ele explica que ensinar é saber lidar bem com pessoas, gostar de desafios, encará-los como algo não pessoal, mas um desafio para a vida, pois se não deu certo hoje, volte para a sala amanhã e crie um ambiente novo. “É um trabalho que não se torna tedioso, há sempre um obstáculo para ultrapassar, um incentivo a dar para os alunos, trazer coisas novas, mostrar novos caminhos”.