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30 de outubro de 2017

Exemplo

15 de outubro de 2017

Coletivo cultural faz defesa da cultura gratuita

Karina Batista

A comunidade cultural Quilombaque é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2005 por moradores de Perus, bairro periférico de São Paulo. O coletivo tem o intuito de levar arte e cultura para a região, como teatro, música, e outras diversas atividades. Não só no espaço onde fica a Quilombaque, como em praças e ruas do bairro e outras ocupações como a Caióba e a casa do Hip Hop.
José Queiroz, conhecido como Soró, é o coordenador da organização desde 2008 e sempre esteve envolvido com a cultura e vários projetos. É respeitado pelos moradores de Perus pela sua luta pela cultura pública.
Além de coordenar o Quilombaque, Soró também trabalha na Agência de Desenvolvimento Social, que é formada por profissionais de diversas áreas, que vêm desenvolvendo uma metodologia de inclusão e educação para a autonomia e emancipação de crianças, jovens, famílias e comunidades em situação de vulnerabilidade grave. Confira a seguir os principais momentos da entrevista concedida ao Conexão Foca.

Conexão Foca - Qual o objetivo do coletivo?
José Soró - Fomos focando na ideia de um plano de inclusão social, em desenvolvimento local sustentável, era pensar não somente em meio ambiente, mas também na questão da miséria na periferia. O que nos motiva são os desafios que existem na periferia com relação à miséria, fundamentalmente. Fomos delineando que a arte e cultura tinham esses potencias e possibilidades de mudar algo. Trabalhamos para inverter isso [o estigma social de que na periferia só tem problema], inverter o olhar negativo que existe sobre a comunidade, tanto de quem está de fora, como de quem vive nela.

Conexão Foca - Quais projetos a Quilombaque oferecem?
José Soró - Aqui na Quilombaque são: capoeira, percussão, jongo, sarau e um grupo de artesanato chamado Arteferia. O sarau, por exemplo, se apresenta nesse espaço e em diversos outros. E tem as parcerias de grupos que acolhemos como grupos de grafites e coletivos de Djs. Neste ano, para ser mais especifico, não estamos usando esse espaço por problemas internos, como a falta de água. Estamos com projetos de melhoria, montando um sistema para pegar água do outro lado. Por esses problemas, não estamos usando esse espaço. Queremos focar [também] em outras ocupações como a Caióba e a casa de Hip Hop.

Conexão Foca - Qual a importância das comunidades para a sociedade?
José Soró - É importante trazer arte e cultura, informação e conhecimento para as pessoas, principalmente jovens. Ou seja, cultura é fundamental e de extrema importância na vida de qualquer individuo.

Conexão Foca - Como o coletivo é financiado?
José Soró - Se colocar no papel todos os gastos do coletivo, daria uns dois mil reais por mês, com aluguel, água, internet e outras despesas. Quando não conseguimos esse dinheiro, com atividades, pagamos do nosso bolso mesmo. Mas normalmente fazemos atividades, e com o dinheiro que ganhamos com a venda de comes e bebes, juntamos para manter o coletivo. Aperta um mês ali e outro aqui, mas vamos seguindo. Somos uma organização sem fins lucrativos, nunca pensamos em ganhar dinheiro com isso. O objetivo é e sempre foi levar arte e cultura gratuita pra quem está dentro da periferia e atingir quem está fora dela também.

Conexão Foca - Quais as maiores dificuldades enfrentadas pela Quilombaque?
José Soró - Somos uma comunidade muito respeitada e conquistamos isso, primeiro com independência. Nunca nos “amarramos” com nenhum partido político, pessoas ou candidatos. E também dentro da dinâmica territorial, nós não nos aliamos com qualquer grupo, para ser mais claro, não dialogamos com o crime. Que dentro dessas comunidades carentes é o que muitas vezes existe. Não é que renegamos ou aceitamos. Sabemos que existem, inclusive, com poder econômico. Mas sempre focamos nisso, nunca aceitar dinheiro do crime. Não temos um conflito, eles sabem a nossa opinião sobre o assunto, que não leva a nada e que é errado, porém, não levo um discurso moralista, já que muitas pessoas acreditam que os jovens vão para a criminalidade por falta de opções ou por vontade própria. Em minha opinião, existe um dado que é muito revelador: o desemprego. O desemprego na juventude é muito grande, e na periferia a má formação e a má qualidade técnica impedem os jovens de seguir outros caminhos. Você não tem que aceitar e sim compreender a situação, que existe, que é real, e a sociedade muitas vezes finge ou não quer enxergar. O que tentamos fazer aqui também é mostrar para esses jovens que com arte e cultura pode haver outras possibilidades.

Conexão Foca - O que acha da política atual?
José Soró - Bom, viemos discutindo uma planta que acabou virando plano municipal de cultura, que é a política pública que prevê iniciativas individuais e sustentação. Por exemplo, começaram a surgir vários espaços como a Quilombaque. Conseguimos com a administração Haddad a realização do VAI 2 (programa para valorização das iniciativas culturais), que permite construção, reformas, aluguel e outras coisas. Então, tem uma série de programas com o intuito de criar um sistema sustentável, para que no fim, o artista tenha tranquilidade de fazer aquilo que ele gosta de fazer, a arte. Mas quando pensamos que já teríamos conquistado algo, que estaríamos em melhores condições, vem um Doria, destruindo tudo o que alcançamos.

Conexão Foca – Você vê melhorias nas mudanças do atual prefeito?
José Soró – Não. Absolutamente, tudo que você imaginar sobre a gestão Doria, somos contra. Vou te dar um exemplo: no caso dos grafites, o que eles fazem é arte, e aí o prefeito proíbe, apaga e determina um espaço para os grafiteiros fazerem seu trabalho. Isso não existe. Não é ele que tem que definir isso, e sim os grafiteiros que definem seu lugar e sua arte.

Conexão Foca - A Comunidade Cultural Quilombaque apoia manifestações? Participam, direta ou indiretamente?
José Soró - Apoiamos, e não só apoiamos como vamos pra rua “brigar”, lutar até o fim. Estamos sempre em manifestações, inclusive com o Frente Única de São Paulo, contra o congelamento da cultura, tanto em reuniões internas como em atos na rua.

Conexão Foca - A privatização é positiva ou negativa para as comunidades culturais?
José Soró - Negativa. A privatização nada mais é que eles destruírem a estrutura pública e em cima disso justificar a privatização. Vendem aquilo que é nosso. É uma grande bobagem dizer que os serviços públicos não funcionam. Funcionam, mas óbvio que precisam de melhorias, só que ao invés de tentar melhorar preferem privatizar.

Conexão Foca - Qual a sua opinião sobre a privatização?
José Soró - Não é questão de ser contra a privatização, acho que é mais uma questão ideológica. Com qual intencionalidade você faz essa transferência. Eu defendo os princípios de que a cultura é de um direito essencial para o povo e que é de dever do Estado fazer isso.

Conexão Foca - O que pode ser feito para defender e manter a arte e cultura pública?
José Soró - Defendemos que não é preciso sair construindo centros culturais. Pode haver estímulo para uma ocupação adequada, por exemplo. Tem muitos espaços bons abandonados. Hoje temos 26 ocupações culturais na cidade. A própria Quilombaque é uma ocupação, com capacidade de funcionamento e produção. A quantidade de produção artística cultural feita aqui é bem maior do que o poder público poderia fazer. Então, qual é a defesa? Apoiar centros como estes, garantir a infraestrutura dele como, água, luz, inclusive a própria programação. Daria muito certo.

Educador critica corte de verba para a Cultura

Alana Tavano, Brenda Messora

Paulo César Carraturi Pereira, 45 anos e morador da cidade de São Paulo, trabalha como educador de arte e ama sua profissão. Muito ligado aos meios artísticos e em desenvolver sua criatividade, o educador se dedica ao teatro e a ações de projetos comunitários.

No entanto, de acordo com o professor, São Paulo vem passando por um problema de incentivo à arte. Mesmo sendo uma cidade que apoia projetos de inclusão e ações na periferia, a verba para cultura foi cortada em 40%. Após a posse do novo prefeito, projetos como, o PIA (Projeto de Iniciação Artística) foram derrubados, e os “CEUs” estão sendo abandonados. Atividades tão importantes para exercícios vocacionais e de iniciação profissional não estão sendo valorizadas suficientemente.

Para Paulo César, não incentivar a cultura é o mesmo que excluir arte e filosofia da grade do ensino médio. É tirar qualquer processo de reflexão, de criar um ser pensante, de pensar através de diversos pontos de vista, um pensamento não só com a mente, mas com o corpo, pois a arte é reflexão, é pensar sobre o mundo, sentir, se sensibilizar. Grupos de capoeiristas, de circos, teatro, danças populares, grafite, todos lutam pelo seu espaço de levar e mostrar cultura para a população.

“Estamos vivendo em um momento histórico: a desvalorização da arte, incluindo essa ação de João Doria, de apagar os grafites de São Paulo, que são conhecidos mundialmente”, comenta Paulo César. “Além de símbolos, eles são fonte de inspiração para muitos jovens, que são resgatados da miséria ou da vida no crime, pois, o universo de adolescentes e jovens da periferia é ficar na periferia, então essas ações de inclusão são necessárias, para a criação de melhores pessoas e profissionais”, reflete.

Outro ponto que incomoda o educador são as privatizações. Sua visão é de que isso é uma solução rápida para os problemas: se uma administradora sabe como fazer dar certo, joga a responsabilidade para ela. Mas, para ele, vender o patrimônio público não é sinônimo de uma boa gestão. De acordo com Paulo César, melhor seria, por exemplo, transformar os lucros ganhos em eventos feitos no Anhembi em bens úteis para a população.

Formado na FAAP, em Comunicação Visual, Paulo César vê com cuidado o título de “educador”, pois para ele o professor não tem a obrigação de educar, mas ao mesmo tempo, serve muito como referência e como exemplo para os jovens.

 “Para o educador, ensinar não é uma profissão, mas sim uma missão”, analisa. Ele explica que ensinar é saber lidar bem com pessoas, gostar de desafios, encará-los como algo não pessoal, mas um desafio para a vida, pois se não deu certo hoje, volte para a sala amanhã e crie um ambiente novo. “É um trabalho que não se torna tedioso, há sempre um obstáculo para ultrapassar, um incentivo a dar para os alunos, trazer coisas novas, mostrar novos caminhos”.

Para André Sturm, inovação é a chave para ampliar acesso da população à cultura



Gabriela Israel

O atual secretário municipal da cultura, André Sturm, esclareceu algumas mudanças na área cultural da cidade e como pretende fazer com que o acesso à cultura seja ampliado. Como antigo diretor do Museu da Imagem e Som (MIS), relatou que a experiência adquirida o ajudará nessa nova empreitada. Escolhido pelo atual prefeito, João Doria, pretende ampliar o acesso à cultura através das mudanças nas gestões de órgãos públicos, que passam a ser administrados por organizações sociais, pois acredita que é um modelo que dá certo. Sturm garante que o mesmo escândalo que envolveu o Teatro Municipal em 2016 não se repetirá. Mesmo sendo alvo de protesto nas ruas, acredita já ter conseguido avanço nos programas culturais.

Conexão Foca - Você considera positivo o conceito de gestão por organizações sociais? Quais motivos te levam a esse critério? 

André Sturm - A experiência do Museu da Imagem e do Som, do qual fui diretor.

Conexão Foca - Analisando seu trabalho no MIS, vemos grandes exposições e um público fiel. O que você pretende fazer para que setores municipais tenham esse mesmo alcance de público que o MIS têm?  

André Sturm -  Inovar na programação sem ter medo de arriscar e tentar algo novo.

Conexão Foca - Cinquenta e duas bibliotecas serão administradas sob gestão de organizações sociais, pois seria “muito difícil” para a Prefeitura fazer uma gestão direta. A Biblioteca Mário de Andrade não está inclusa nesse esquema de administração. Por quê? 

André Sturm - Todas as bibliotecas municipais são geridas pela administração direta.

Conexão Foca - Referente ao escândalo que ocorreu com o Theatro Municipal no ano passado – que é administrado por OS – quais medidas serão tomadas para que isso não aconteça novamente? 

André Sturm - Já foram tomadas medidas no sentido de acompanhar os convênios e parcerias de forma sistemática e não somente no momento da prestação de contas.

Conexão Foca - Em 2014, no programa Provocações, você declarou que “na periferia existe uma produção cultural muito rica, autônoma, independente, porém a periferia está carente de equipamentos culturais, centros, espaços para que elas possam usufruir onde elas moram”. Como secretário, como você pretende mudar isso nas periferias? 

André Sturm -  Novos editais como o do Museu de Arte de Rua – MAR, cujos projetos são desenvolvidos fora do Centro expandido. Também estamos valorizando a programação local nos equipamentos como Casas de Cultura. Um ótimo exemplo foi a Virada Cultural, em que além de programar o Centro, levamos atrações para diversos equipamentos como teatros municipais, casas de cultura, centros culturais e bibliotecas.

Conexão Foca - A descentralização da Virada Cultural não teve grande aprovação do público. Pretende manter o mesmo formato para ano que vem? 

André Sturm - Não tivemos a mesma impressão. Basta procurar por fotos da programação descentralizada em locais como a Chácara do Jockey, o Parque do Carmo e os centros culturais do Grajaú e Cidade Tiradentes, por exemplo.

Conexão Foca - Neste ano ocorreram algumas mudanças nos blocos de ruas no Carnaval que não agradaram alguns foliões. É possível adiantar os planos para o Carnaval 2018? 

André Sturm - Ainda estamos em fase de elaboração, em diálogo com os blocos e os moradores das regiões que recebem os desfiles. Na semana passada fizemos um “Secretaria da Cultura Escuta” com este tema.

Conexão Foca - Como você lida com ativistas que gritam “Fora, Sturm” em protestos, como o que ocorreu em 27 de março,  em manifestação contra o congelamento da verba para cultura? 

André Sturm - Já avançamos no âmbito do descongelamento dos recursos, possibilitando que programas e outros projetos prosseguissem.

O caos que me divide

Jorge Henrique e Fernando Pereira

Nesta manhã de domingo, descanso um pouco mais. Acordar cedo todos os dias é preciso por causa da minha agenda que está sempre lotada. Não é todo dia que tenho a oportunidade de dormir até tarde. O dia ainda não amanheceu e minha jornada já começa. Dou um beijo de bom dia na minha esposa, vejo se meus filhos estão bem, e vou até o banheiro.

Concentro-me no café da manhã e leio as primeiras notícias que os jornais abordam para me manter informado. Esses jornais sempre colocam notícias escandalosas, oportunistas... Abutres, sempre de olhos na carnificina que estão gerando. Mas não é qualquer jornal ou notícia que vai me derrubar. Agora inventaram esse assunto de público ou privado... Que discussão tola e insignificante.

A propaganda das obras que tenho recentemente visto pela cidade está surtindo efeito. Algumas pessoas sempre são do contra, mas independentemente, em cada canto que vou, sempre há alguém que elogie.

Observo as pessoas ao meu redor no trabalho e vejo o quanto se dedicam pela cidade. Assessores, correligionários, técnicos e burocratas. Todos se desdobram para abrir caminhos, pensar a cidade, receber críticas... Tem ainda o lado de inaugurar obras, correndo de um canto para o outro da cidade, em questão de minutos, que não é nada fácil.

Em meio a esse corre-corre, contemplo o outro lado do muro. O espaço da cidade ocupado pelos que reclamam. É difícil viver assim. Sem condições mínimas, sem moradia, sem emprego, sem esperança... Mas é ali que vive um líder comunitário. Seu nome é Beto. Foi ele que construiu sozinho uma pequena área de lazer para crianças, em um espaço público abandonado pelas gestões anteriores. Na época, coisa de uns dois anos, a alegria foi notável no olhar de cada munícipe.

Agora a situação mudou. O parque cresceu e atraiu mais movimento. Trouxe gente de todo tipo. Mas, com o olhar duro da nova gestão, a área vai ser retomada. Ali vai passar uma estrada, que levará o parque para um futuro incerto.

Beto não gostou nada da ideia. Conclamou a população, fez barricada e armou a resistência. A polícia foi chamada. Não tiveram dó e nem piedade. O gás lacrimogênio invadiu o pulmão das crianças, das mulheres e idosos que esboçaram resistência. O líder comunitário não fraquejou. Enfrentou a guarda com peito aberto. Desafiou a lei, pensando no bem comum. Se exaltou. Foi ferido com um hercúleo golpe de cassetete na cabeça. A correria e o pânico se instalaram no local.

Beto foi conduzido ao hospital, onde chegou em estado grave. Ainda não se sabe o que vai ser dele. Ao ver essa situação, minha cabeça dá um nó. Passo noites sem dormir. Nesse curto tempo de gestão, presenciei os meses mais difíceis da minha vida, onde o meu trabalho corroeu cada vestígio de paz dentro de mim.

Foram conquistas acobertadas por pesadelos. Agora, vivo o maior deles: dividir o meu dia ao volante, conduzindo o prefeito, refreado pela situação grave de um irmão.



Privatização da Cultura é um disparate

Érica Aparecida Carvalho

A Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo anunciou neste ano que pretende entregar às organizações sociais – entidades privadas que administram serviços públicos – a administração do Centro Cultural São Paulo e das 52 bibliotecas municipais da cidade. Tal medida pode ser inadequada se considerarmos a necessidade de oferecer acesso amplo e irrestrito à cultura.

Com a privatização, a camada da população paulistana que mais carece de acesso gratuito a bibliotecas e casas de cultura será prejudicada, pois a empresa que detiver a administração desses ambientes buscará a compensação financeira por meio de tarifas.

Hoje, a maioria das pessoas que frequentam os centros culturais são grupos de danças, grupos de teatro e outros grupos que não têm condições financeiras para alugar espaços para suas atividades. Quanto às bibliotecas, são frequentadas principalmente por alunos de escolas públicas, que não dispõem de locais com acervos tão vastos quanto àqueles que se pretendem privatizar.

Além do mais, privatizar a cultura não significa melhorar os serviços ofertados, claramente porque no setor privado o lucro é mais importante do que a qualidade. A privatização pode significar um desvirtuamento da finalidade da prestação dos serviços, qual seja, diga-se mais uma vez, o oferecimento amplo e irrestrito à cultura, conforme preconiza a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988: “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”.

Tal modificação se torna notória ao se tentar monetizar o acesso à cultura. Se a intenção é melhorar a qualidade dos serviços, melhor seria contratar mais pessoas e qualificar os agentes públicos que já atuam.

Em um artigo publicado no site da revista “Brasileiros”, comprovando as ideias deste texto, o articulista Ivan Martins dá a dimensão da tragédia que seria a “privatização” das bibliotecas públicas municipais. “Numa cidade que concentra serviços e oportunidades culturais na mesma proporção em que concentra renda e privilégios, o centro cultural da Vergueiro é um oásis de cidadania e decência”, diz o texto.

Continua ele: “Pois o prefeito João Dória, na falta de problemas mais graves na cidade, anunciou que vai privatizar o CCSP e 52 das 107 bibliotecas públicas da capital, que constituem a maior rede de bibliotecas da América Latina – uma decisão que ele preferiu não mencionar durante a campanha eleitoral”.

Martins é ainda mais severo ao afirmar: “Privatizar o Centro Cultural e as bibliotecas da cidade faz tanto sentido quanto estatizar as barracas de pastel da feira, a rede de lanchonetes McDonald’s ou o shopping Iguatemi. Quer dizer, não faz sentido algum. É uma idiotice ou um ato de má fé. Por que desfigurar um serviço que funciona bem e cumpre exemplarmente a sua função social?”.

Por fim, outro motivo para não se privatizar é o desemprego que essa ação pode ocasionar, pois, como as empresas visam o lucro em primeiro lugar, provavelmente diminuirão o número de pessoas para reduzir custos e aumentar receitas. Ainda, como consequência da redução do quadro de funcionários, pode haver a precarização dos serviços, o que pode desestimular os usuários, causando o esvaziamento dos centros culturais e bibliotecas, consequência essa que contraria o mandamento constitucional de garantia de acesso à cultura.

Dessa forma, a privatização dos centros culturais e das bibliotecas, além de inadequada, contraria o interesse público e transfere para a iniciativa privada um dever que é, legal e moralmente, do Estado.

Por que privatizar seria ruim?


Jhonathas Silva

Uma das maiores polêmicas que determina as discussões em São Paulo neste ano de 2016 é a privatização de serviços e locais que atualmente são geridos pelo Estado. Muitos defendem o ponto de que transporte, centros culturais, parques e grandes centros de lazer devem continuar como dever do governo. Mas a gestão pública tem capacidade de fornecer o melhor serviço?

Um exemplo que pode servir como parâmetro para o debate, em nível estadual, mas que pode plenamente ser adaptada para o problema municipal é a questão da qualidade do transporte metroviário. A Linha 1 Azul é a mais antiga e atravessa a cidade ao meio, indo do Tucuruvi à Jabaquara. Mesmo sendo a primeira, e abrangendo partes importantíssimas de São Paulo, como a Sé, ela ainda não oferece conforto para os milhares de passageiros que a utilizam todo dia. Muitos dos trens nem sequer possuem ar-condicionado. 

Já a Linha 4 Amarela, que é a primeira linha de São Paulo a ser operada pela iniciativa privada, oferece um serviço muito mais qualificado. Além de ter todos os seus trens equipados com ar-condicionado, o transporte, que está sob a administração da ViaQuatro, empresa pertencente ao grupo CCR, também conta com avisos em múltiplas línguas, limpeza e maior sinalização. Fora isso, não são operados por um condutor diretamente na cabine, e possuem painéis nas estações que indicam o horário da chegada do próximo trem e a lotação de cada vagão, para que os passageiros possam ver em qual deles sua viagem seria mais cômoda. 

Quanto à segurança, que é uma preocupação no transporte metroviário, as estações dessa linha possuem portas automáticas, o que diminui brutalmente o risco de alguém cair na via.

Outro exemplo de como o serviço oferecido pela iniciativa privada consegue ser superior ao oferecido pelo Estado é o Sesc - Serviço Social do Comércio. Nem todos têm acesso, mas uma grande parcela da população de São Paulo usufrui dos espaços que foram criados e são mantidos por um grupo de empresários. 

O Sesc oferece diversos eventos culturais não só na cidade de São Paulo, mas em todo o Brasil. Exposições, lugares com uma boa manutenção e equipamentos de qualidade para a prática de exercícios físicos, oficinas, shows e muitas outras atrações culturais estão no leque de serviços que este espaço oferece para toda a população brasileira. 

Podemos dizer que os centros culturais do país também oferecem isso, mas nada nessa magnitude. 

A iniciativa pública trouxe ao Brasil a Copa do Mundo sob o pretexto de que ela deixaria um legado positivo para o país e que a população sairia beneficiada. Porém, a realidade que se apresentou para a cidade de São Paulo foi outra. 

Logo, não é difícil identificar que na iniciativa pública, o planejamento e a preocupação com comodidade e qualidade são superiores às da gestão pública. 

Tanto em serviços essenciais no cotidiano dos moradores da cidade de São Paulo, quanto no lazer e entretenimento, pois o número de atrações oferecidas é muito maior, com serviços e equipamentos de última geração e que suprem as necessidades básicas dos cidadãos.

Além da qualidade, a opção pela gestão privada reforça o argumento de que o desperdício de dinheiro público é muito menor quando comparado aos orçamentos da administração pública, que invariavelmente ignoram questões como o superfaturamento e atraso de obras.

Portanto, defender a privatização de serviços públicos é empunhar a bandeira da luta contra o desperdício de verbas, o zelo com o patrimônio público e o combate intenso e contínuo contra a corrupção, mal este que virou uma verdadeira ameaça crônica à sociedade brasileira.

1 de outubro de 2017

Alunos da Unip encenam Rota 66, de Caco Barcellos




Por Giovanna Nucitelli         Foto: Diego Marques
Os alunos de jornalismo da Universidade Paulista (UNIP), campus Marquês, apresentaram na última quinta-feira uma adaptação do livro Rota 66, do jornalista da TV Globo, Caco Barcellos, na abertura do Encontro de Jornalismo, promovido anualmente pela universidade.
A obra relata a perseguição e morte de um grupo de jovens de classe média executados por uma ação de uma das unidades das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA). Com o livro, lançado em 1992, o jornalista conquistou o Prêmio Jabuti, no ano seguinte.
A apresentação reuniu os alunos de jornalismo do primeiro ao quarto semestre no elenco e produção. Anderson Rodrigues de Jesus, diretor da peça, relatou que a encenação foi um desafio, por trabalharem com um clássico. Apesar disso, considerou a experiência como gratificante e motivadora.
Palestras
O Encontro de Jornalismo contou ainda com a participação da jornalista Pryscilla Paiva,  do fotógrafo José Luís da Conceição e do editor Elfrídes de Oliveira. Os temas abordados pelos palestrantes foram suas experiências profissionais e sugestões para os estudantes ingressarem no mercado de trabalho.
Pryscilla Paiva, repórter meteorológica do Canal Rural, descreveu sua trajetória pelas empresas Somar Meteorologia, TV Band e TV Record. Afirmou que na carreira nem todos os trabalhos serão remunerados financeiramente, mas sim com experiência.

José Luís da Conceição, repórter-fotográfico que já passou pelo O Globo e Notícias Populares, narrou suas experiências e as histórias por trás das fotografias icônicas. Deu dicas aos alunos sobre o futuro profissional e os principais materiais do jornalista: a curiosidade e a persistência. Finalizou com a mensagem: “Temos que ter paixão pelo que fazemos. O importante é que dentro das escolhas que fizermos naquele momento da vida, estejamos felizes. A felicidade tem que nos pautar para seguir o nosso caminho”.
Encerrando o evento, Elfrídes de Oliveira, editor da Record News, afirmou que mesmo os jovens podem alcançar cargos elevados, como de editor-chefe. Contou, ainda, sobre sua experiência nos canais TV Pantanal e Canal Rural, onde foi repórter, produtor, apresentador, editor e editor-chefe.