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30 de setembro de 2017

Nigéria é bicampeã da Copa dos Refugiados


Por Jessica Gomes                


A seleção da Nigéria venceu a IV edição da Copa dos Refugiados que ocorreu no último domingo (24.09), no estádio do Pacaembu em São Paulo. O evento, organizado pela ONG África do Coração, tem o apoio da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) e aconteceu pela primeira vez em 2014, com o intuito de integrar os brasileiros com os refugiados através do esporte mais comum no país, o futebol.

Cerca de 16 seleções de países em situação de refúgio participaram dos jogos nesta edição. Essa é uma das formas que a ONG tem encontrado de mudar a vida de diferentes pessoas que chegam ao Brasil, seja para fugir das guerras ou por motivos religiosos.

A edição 2017 da Copa contou com a presença e coordenação de Abdulbaset Jarour de 27 anos, nascido em Alepo, na Síria. Abdul, como é chamado, veio para o Brasil alguns anos após o início dos conflitos que começaram a ocorrer fortemente em seu país no ano de 2011. Para trás Abdul deixou familiares e amigos e decidiu recomeçar a vida no Brasil, bem longe das guerras.

Abdul relata que o intuito da copa é integrar o refugiado com o Brasil e mostrar que eles estão aqui para colaborar e fazer o bem. “O refugiado chega no Brasil, ele não tem família, não tem amigos; queremos unir os refugiados com o povo brasileiro. Queremos quebrar a xenofobia, o preconceito e a ignorância”.
Muitas pessoas em situação de refúgio sofrem diferentes tipos de preconceito por conta de sua cultura e religião.

“Queremos mostrar que nós refugiados somos gente capazes de entrar em um estádio, organizar um evento e mostrar que somos ser humano e lutar para quebrar a xenofobia e o preconceito”, afirmou.

Os refugiados que vivem no Brasil atualmente sentem-se bem por não presenciar guerras e por viver em um país que está longe dos conflitos existentes no mundo. A jovem Hanandaqqha, de 13 anos, nasceu na Síria e está no Brasil há 2 anos. Ao ser questionada sobre o que estava achando do país não pensou duas vezes para responder. “É bom. Aqui não tem guerra”.

O angolano José Pelé, de 46 anos, conta que o idioma não foi a maior dificuldade, e que a busca por emprego é o que mais tem dificultado essa nova fase. ‘”Em Angola falamos português, então isso não foi problema. Mas conseguir um emprego não foi fácil”. José conta ainda que os refugiados buscam ter condições melhores de vida.

“Os refugiados são pessoas de bem, legais, que estudaram e que tem coisa boa para contribuir para a nação brasileira. E esse evento foi para integrar a nação passando paz, amor e união”. As pessoas que vivem no Brasil como refugiado ainda sofrem preconceitos por uma parcela da população, pois muitos os julgam por sua cor, hábito e principalmente pela crença. E apesar das dificuldades encontradas, ainda consideram o Brasil um bom lugar para morar.

No Brasil, os dados referente ao final de 2016 mostram que mais de 9 mil refugiados foram reconhecidos no país, vindos de 82 nacionalidades diferentes. Sendo a mais comum Síria, seguida pela Republica Democrática do Congo, Paquistão, Palestina e Angola. O Brasil tem inclusive acolhido pessoas que não são considerados refugiados. Como é o caso do Haiti e da Bolívia que apesar de não estar passando por guerras, têm chegado ao Brasil em busca de melhores condições de vida.